Um blog sobre silêncios. Porque o silêncio é imprescindível à vida. Sshhiuu....

02
Jan 14

Na terra que a viu nascer, junto de todos os que sempre conheceu, ela estava perdida. Por mais que tentasse não conseguia encaixar-se naquele cenário pitoresco de vida perfeita na aldeia. Familiares espalhados por toda a parte, vizinhos que se conhecem desde sempre, rotinas que se cumprem inconscientemente, como rituais que fazem parte do que é a vida por ali.

Sentia-se dormente, imóvel, presa no vazio interior do seu corpo. Limitava-se a admirar aquele frenesim sem sentido, a imagem desvanecida, os ouvidos surdos, o movimento estonteante da cabeça que, involuntariamente tentava seguir as multidões. Cada vez passavam mais perto, mais depressa e em percursos aleatórios, cada um correndo para seu lado, voltando à direita e à esquerda, para trás e para diante sem propósito aparente. Quanto mais tentava segui-los, mais lhes perdia o rasto. E por mais que tentasse não conseguia fazê-los parar.

Sentiu o seu corpo atravessado por este corrupio de gente. Mas… não era um corpo, afinal. Não havia matéria, nem brilho, nem nada que pudesse alertá-los da sua presença naquele lugar. Tentou gritar mas não lhe saíam as palavras. E mesmo que saíssem, não saberia ao certo por quem havia de chamar, nem o que dizer quando lhe perguntassem “quem és tu?”, “o que fazes aqui?”, “como te sentes, minha querida?”…

E assim, impotente, esgotada, resignou-se a esperar que o espetáculo terminasse, e a desejar, com as poucas forças que lhe restavam, que não viesse mais ninguém inserir uma nova ficha e ligar o sistema outra vez.

Só precisava de um pouco de silêncio, de paz, de tempo para recuperar forças. De voltar a sentir os dedos das mãos e dos pés, e a cabeça em cima dos ombros. Precisava de abrir os olhos para dentro e descobrir o caminho que a traria de volta para a liberdade.

Muito lentamente, ela foi construindo qualquer coisa. Não sabia identificar o que era, mas dava-lhe uma estranha sensação de esperança. A princípio ténue e frágil como ela, aquela coisa foi crescendo, a muito custo, e lá se ia transformando numa força imensa. Uma força de acreditar que um dia haveria de ser possível que deixasse de ser prisioneira da sua própria mente. E em vez disso, haveria de permitir que as ideias voassem, e haveria de voar com elas rumo ao futuro que sempre quis.

 

(…)

 

Curiosamente, as pessoas passaram a movimentar-se tranquilamente pelos caminhos da pequena aldeia. Cumpriam os seus afazeres, triunfantes e despreocupados, como se vivessem num mundo onde não existe o “tempo”. E cada um que passava por ela, sorria-lhe carinhosamente, num ritual de saudação reconfortante, que se repetia vezes e vezes sem conta.

publicado por Pedaços de Silêncio às 23:58

28
Mar 11

 

 

Às Vezes
 
Às vezes tenho idéias felizes, 
Idéias subitamente felizes, em idéias 
E nas palavras em que naturalmente se despegam... 
 
Depois de escrever, leio... 
Por que escrevi isto? 
Onde fui buscar isto? 
De onde me veio isto?  Isto é melhor do que eu... 
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta 
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...

 

Álvaro de Campos

 

 

Porque leio e releio e continuo pensando "Por que escrevi isto?" "Onde fui buscar isto?" "De onde me veio isto?".

Porque não tenho dúvidas de que "Isto é melhor do que eu..."

 

Mas gosto bem de ir lendo e relendo isto, e de saber que nalgum momento eu deixei de ser apenas eu para passar a ser algo maior, melhor do que eu... E escrever isto, que é isto. E é meu. E apesar disso, não deixa nunca de ser melhor do que eu...

publicado por Pedaços de Silêncio às 17:17

24
Jan 11

 

  

  

Se um dia acordares e sentires que não valeu a pena teres dormido...

 

... é porque não sonhaste comigo!

 

publicado por Pedaços de Silêncio às 22:37

17
Jan 11

 

 

A vida pode ter muitas direcções, muitos caminhos por onde escolher. E depois de um caminho escolhido, nele surgirão novas opções. Mas, por muito que possa doer, não existe retroceder. A vida só tem um sentido - o sentido de Viver!

publicado por Pedaços de Silêncio às 00:28
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16
Dez 10

 

"E depois houve aquele silêncio. Aquele silêncio muito estranho. Ficámos a olhar um para o outro como se nos estivéssemos a ver pela primeira vez. Foi como se o mundo tivesse parado de girar só para nós. Um silêncio estranho e mágico."

 

"Então a minha mãe tinha razão Alex! É possível apaixonarmo-nos pelo nosso melhor amigo! A mãe falou-me no silêncio por que passou há muitos anos. Ela disse-me imensas vezes que quando se sente aquele silêncio com alguém, isso significa que é a pessoa certa. Estava a começar a pensar que ela tinha inventado, mas afinal não! Esse silêncio mágico existe!"

 

"Phil, ela também sentiu o silêncio. A Rosie. Ela também sentiu o silêncio. Há séculos."

 

"Minha querida Rosie,

Sem tu saberes, já tentei isto há muitos, muitos anos. Nunca recebeste aquela carta e fico feliz por isso, porque os meus sentimentos desde então mudaram drasticamente. Intensificaram-se com cada dia que passou.

Vou directamente ao assunto, porque se não digo aquilo que tenho para dizer, temo que nunca o direi. E preciso de dizê-lo.

Hoje amo-te mais do que nunca; amanhã amar-te-ei ainda mais. Preciso de ti mais do que nunca; quero-te mais do que nunca. Sou um homem com cinquenta anos que se te dirige como se fosse um adolescente apaixonado, a pedir-te que me dês uma oportunidade e que me ames também.

Rosie Dunne, amo-te de todo o meu coração. Sempre te amei, mesmo quando tinha sete anos de idade e menti sobre ter adormecido quando estávamos a vigiar o Pai Natal, quando tinha dez anos e não te convidei para a minha festa de aniversário, quando tinha dezoito e tive que sair do país, mesmo no dia do meu casamento, no dia do teu casamento, nos baptizados, nos aniversários e quando discutimos. Amei-te durante todo esse tempo. Faz de mim o homem mais feliz do mundo e fica comigo.

Por favor, responde-me.

Com todo o meu amor,

Alex"

 

CECELIA AHERN

Para Sempre, Talvez

 

 

Para Sempre, Talvez. Porque na vida nada é para sempre, e tudo tem um talvez... E poderia acrescentar ainda um se...

Porque na vida nunca se diz tudo o que se quis dizer e ouve-se muito do que não se queria ouvir... E porque às vezes é preciso esperar uma vida inteira para ouvir aquilo que realmente importa, o que é mais verdadeiro. Por tudo isto, mas principalmente porque, na vida, existem muitos silêncios... Silêncios pelos quais não é preciso esperar uma vida inteira, porque eles estão lá... Só é preciso saber ouvi-los e senti-los. E de todos eles, existe uma vez na vida de cada um, um silêncio que é O silêncio. O Silêncio Mágico. Por tudo isto, aconselho vivamente a leitura deste livro, porque nas palavras também há silêncios...

E, afinal, este blog é sobre silêncios... :)

publicado por Pedaços de Silêncio às 19:52
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